Quatro podcasts para ouvir e refletir
- Raquel Leite
- 30 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de fev.
Antes de encerrar 2025, mantive uma tradição pessoal: revisitar escutas que marcaram o ano e que seguem ecoando pelas reflexões que provocam. A seleção abaixo reúne quatro podcasts que atravessam temas como plataformas digitais, ciência, golpes contemporâneos e pânicos morais, cada um à sua maneira, todos com narrativas potentes e necessárias.
O primeiro destaque é o No Fio da Meada, no episódio “Vanessa Cavalieri não quer prender o teu filho”. A conversa apresenta a experiência da juíza titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, que relata a mudança no perfil de adolescentes envolvidos em infrações digitais graves, muitas vezes de classes média e alta. O episódio discute crimes digitais, o uso das plataformas por crianças e adolescentes e a falta de supervisão familiar, a partir do esforço da magistrada em expor a gravidade dessas práticas para pais e responsáveis.

Em Ciência Suja, o episódio “A máquina de Drauzios falsos” investiga a epidemia de golpes na área da saúde veiculados por meio de anúncios em plataformas digitais. Com base em estimativas do NetLab, o programa aponta a circulação massiva de conteúdos fraudulentos e discute seus impactos concretos, inclusive o uso indevido da imagem de médicos conhecidos, além do papel das plataformas na sustentação econômica desse ecossistema de desinformação.

A Rádio Escafandro aparece na minha seleção com “A infame máquina de golpes”, episódio produzido em parceria com a Agência Lupa. A apuração revela a existência de escolas de golpes online que ensinam técnicas de estelionato digital, como clonagem de cartões, criação de sites falsos e burla de sistemas de reconhecimento facial. O episódio contextualiza o crescimento expressivo dos golpes no Brasil e mostra como essas práticas se organizam em plataformas como TikTok, Instagram, YouTube, WhatsApp e Discord, diante da baixa efetividade das ações de moderação.

Fechando a lista, o especial da Agência Pública, “Caça às Bruxas – uma história de terror real”, reconstrói historicamente as perseguições conhecidas como caças às bruxas, revelando que se tratavam de processos legais conduzidos por tribunais, juízes e testemunhas, nos quais mulheres foram condenadas à morte sem direito de defesa. Na produção, a jornalista Natalia Viana conduz uma investigação histórica e jornalística sobre feminicídios cometidos pelo Estado, conectando imaginário, direito e violência institucional em um podcast narrativo que atravessa séculos.

No conjunto, são podcasts que ampliam repertório, ajudam a ler criticamente o presente e oferecem ferramentas para pensar poder, controle, confiança e violência simbólica na vida social contemporânea. Escutas que informam, provocam e permanecem, mesmo depois que o episódio acaba.

