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Comunicação pública e política: desafios e oportunidades em organizações governamentais e da sociedade civil

  • Foto do escritor: Raquel Leite
    Raquel Leite
  • 30 de jul.
  • 3 min de leitura

Em tempos de crescente demanda por transparência, participação cidadã e responsabilidade social, a comunicação pública emerge como um instrumento essencial para fortalecer a democracia e promover o interesse coletivo. Nas organizações governamentais e da sociedade civil, a comunicação vai além da mera divulgação de informações; ela se torna um canal de diálogo, escuta e construção conjunta de soluções para os desafios sociais.


O que é Comunicação Pública?

Segundo Jorge Duarte (2012), a comunicação pública é aquela que se estabelece entre o Estado, o governo e a sociedade, com o objetivo de informar, ouvir demandas, promover o debate público e assegurar a relação social. Diferencia-se da comunicação governamental, que muitas vezes se limita à promoção de ações de governo, e da comunicação política, voltada para interesses partidários ou eleitorais. A comunicação pública deve ser guiada por princípios como:


Transparência: garantir o acesso amplo e claro às informações de interesse público.
Participação: estimular o envolvimento ativo dos cidadãos nas decisões e políticas públicas.
Inclusão: assegurar que todas as vozes, especialmente as de grupos historicamente marginalizados, sejam ouvidas e consideradas.
Accountability: prestar contas das ações e decisões tomadas pelas instituições públicas.

A implementação efetiva da comunicação pública enfrenta diversos desafios que comprometem sua eficácia e alcance. Um dos principais obstáculos é a confusão conceitual, onde frequentemente se equipara comunicação pública à propaganda institucional, desviando o foco do interesse coletivo para a promoção de gestões específicas. Além disso, há uma notável falta de estrutura, evidenciada pela escassez de equipes capacitadas e recursos adequados para desenvolver estratégias de comunicação eficazes. 


Outro desafio significativo é a resistência à transparência; algumas instituições ainda relutam em adotar práticas que exponham suas ações ao escrutínio público, limitando o acesso à informação e a participação cidadã. Apesar desses obstáculos, existem iniciativas que demonstram o potencial transformador da comunicação pública.


Campanha “Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica”

Lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a campanha criou um canal silencioso de denúncia para vítimas de violência doméstica, utilizando um "X" vermelho na palma da mão como sinal de pedido de ajuda. A iniciativa exemplifica como a comunicação pública pode ser instrumento de proteção e empoderamento.


Mulher com x vermelho na mão

Movimento “#MeuAmigoSecreto”

Idealizado pelas organizações da sociedade civil Think Olga e Think Eva, o movimento utilizou as redes sociais para denunciar casos de machismo e assédio, dando voz a mulheres em todo o país. A ação destacou o papel da comunicação pública na mobilização social e na promoção de debates sobre questões de gênero.


Programa de Sustentabilidade do Banco do Brasil

O Banco do Brasil lançou uma campanha alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, promovendo práticas sustentáveis e de inclusão social. A iniciativa reforça como instituições públicas podem utilizar a comunicação para educar e engajar a sociedade em temas de interesse coletivo.

Nosso saldo está verde Banco do Brasil

Para fortalecer a comunicação pública, é essencial investir na formação de profissionais especializados, capazes de desenvolver estratégias eficazes e éticas que promovam o diálogo entre instituições e cidadãos. Além disso, é fundamental fomentar uma cultura de transparência, implementando práticas que garantam o acesso amplo à informação e a prestação de contas por parte das organizações públicas. 


Por fim, é necessário criar e aprimorar canais que facilitem a participação cidadã, assegurando que as políticas públicas reflitam as necessidades e aspirações da população, fortalecendo assim a democracia e a legitimidade das instituições.

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